“Efêmera Luz” - Aryane Siebra

07.02 - 21.03.2026

ArteFASAM São Paulo

Efêmera Luz

curadoria Giulia França

Um vento leve perpassa as imagens sobre os suportes, como guia do ritmo cadenciado da apreciação. E com nossas retinas inundadas de luz, adentramos uma atmosfera suave, quase sussurrada, em que o tempo suspenso é convite à pausa. Talvez, se semicerrados os olhos por apenas alguns instantes, ainda seja possível ouvir o som impresso entre pinceladas: o farfalhar das folhas, a ondulação suave do mar ou o arrastar dos pés no terreno arenoso.

Sujeitos à contemplação de um universo particular de memórias, o contágio pela brandura das composições é quase inevitável. Aryane Siebra, em sua primeira exposição individual, intitulada “Efêmera Luz”, ora nos coloca à distância, como observadores de um horizonte longínquo, ora nos entrega detalhes minuciosos, despercebidos por mentes dispersas.

Grande musa de sua produção, a Terra da Luz — mais conhecida como Ceará — é o substrato que sustenta nossos pés durante a mostra. Siebra imprime a sensação de sua presença nos locais por onde uma vez caminhou, aproximando-se do estado meditativo de reconexão entre o fio etéreo que nos liga ao espaço circundante.

Longe de uma representação simples da paisagem, ao contrário, Aryane evoca a aura de um ambiente pulsátil. No conjunto, a delicadeza é reforçada não apenas pelos motivos dispostos, mas pela junção de pinceladas esfumadas, contornos homogêneos e uma paleta de cores terrosas. Inusitadamente, o tecido colado ao suporte agrega como textura: não escondida, mas integrada à imagem como direcionadora do olhar, reforçando a fluidez das ondas, do vento e do balançar das plumas.

Se as paisagens abertas exigem a distância do indivíduo para sua visualização, o conjunto de detalhes pintados sobre pequenos suportes incita o movimento oposto. Íntima de um recorte mínimo, descontextualizado do meio, parece que a mente vaga solta na tentativa de completar os elementos faltantes. Onde estavam antes daqui? A que corpo pertenciam?

A resposta exata é menos importante do que a quietude desejada. Aqui, a atenuação não é fragilizada: é respiro. De fato, afastada a poeira densa da ansiedade produtiva, não nos resta mais do que o fluxo constante do presente, a desaguar no mar de todas as coisas para onde, inevitavelmente, retornaremos.

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