“A eternidade por uma noite”
08.08 - 12.09.2026
FASAM São Paulo
a eternidade por uma noite
silêncio.
a noite: suspende a velocidade do mundo e cada pequeno acontecimento ganha outra escala. a partir daí: oferecer ao olhar um intervalo onde nada precisa acontecer imediatamente.
a eternidade: deixa de ser promessa de permanência para tornar-se qualidade da experiência. a partir daí: lembrar que há acontecimentos que duram poucas horas, mas permanecem conosco por uma vida inteira.
esta individual de Felipe Ferreira apresenta uma produção que assume pequenos formatos e trabalha com a construção de atmosferas, paisagens e luminosidades. esta questão da luz e a projeção discernível de uma forma de introspecção são também particularmente perceptíveis em suas obras.
se na noite é difícil identificar os lugares, a cada tela podemos nos perder em linhas do horizonte, bordas de matas densas e céus com seus astros a se relacionar com cores desbotadas, uma paleta de verdes, beges e azuis.
demorar-se. encontrar outro tempo em cada horizonte.
é justamente nessa demora que a imagem encontra sua maior intensidade.
a escolha da juta é decisiva para a construção dessas pinturas. sua trama espessa, os fios aparentes, as ranhuras e irregularidades recusam a superfície lisa da tela tradicional para fazer da matéria um agente da imagem. a pintura não se impõe sobre o suporte; negocia com ele. em diversas áreas, a juta permanece visível, fazendo com que a paisagem pareça emergir da própria fibra, como se a luz precisasse atravessar essa espessura antes de alcançar o olhar.
antes mesmo de representar uma floresta, um caminho ou um clarão, as obras apresentam uma superfície que já remete à terra, à vegetação, ao clima e às materialidades que constituem parte dos trópicos. não se trata de representar tão somente um território, mas de fazer com que ele permaneça inscrito na própria pele da pintura. Felipe Ferreira não fixa um instante, antes, busca preservar sua vibração.
Ane Valls
curadora
Drª e Artes Visuais

